O Tempo da sessão analítica entre a Lógica Significante e o Real

Arturo S. Blanco

Publicado el: 2003-08-08


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Possibilitar um tempo, aquele que a lógica e o real impõem na sessão analítica, que vai do instante de ver ao momento de concluir, e que seja capaz de ir da pontuação ao corte,...






O Tempo da sessão analítica entre a Lógica Significante e o Real

Arturo S. Blanco



Possibilitar um tempo, aquele que a lógica e o real impõem na sessão analítica, que vai do instante de ver ao momento de concluir, e que seja capaz de ir da pontuação ao corte, permitindo criar uma dinâmica do futuro no lugar do passado. É necessário criar um espaço e um tempo novo, subjetivo para o sintoma, que seja o avêsso do espaço do cotidiano. Esta concepção do tempo em transferência nos leva à necessidade de compreender o kairós aristotélico, entendido como tempo oportuno de toda ação prudente e que não tem nada a ver com um tempo cronológico longo ou curto. Assim o tempo convencional, o tempo social ou cronológico se transforma num tempo subjetivado signado por sua eleição de gozo, o sujeito será efeito desta eleição e isto é central na determinação do tempo na sessão analítica, ao por em questão o modo de gozo que o remete à sua primeira experiência de gozo e a sua repetição que inaugura um ?para sempre?. Hamlet como exemplo da trajédia do homem moderno ante sua impossibilidade de resolver o paradoxal do gozo mais além da culpa, serve de argumento a Lacan quando nos diz: ?O objeto se carrega dessa significação que se persegue no que chamo a hora da verdade. O objeto sempre chega com atraso ou com demasiada antecipação?.
É preciso possibilitar o ?tempo da palavra? que criará um mundo decifrado, o mundo simbólico da linguagem, organizando assim um tempo para apreender essa verdade individual que não toda é, signada por sua dependência significante. Evidentemente esta não é uma questão fácil de resolver, não só desde o ponto de vista do ato analítico, senão da teoria que o sustenta, já que propor o corte à pontuação ou vice-versa, determinará a direção da cura e evidentemente seu fim, ou seja, de colocar em ato da realidade sexual do inconsciente à conclusão que abre o passe.
Este tempo tem um efeito, quando o Outro da transferência deixa de existir como sujeito suposto-saber e fica reduzido ao objeto ?a?, a pulsão se iguala ao dizer do sujeito, a seu lugar de enunciação. Anunciando assim o fim da análise.
Tentarei desenvolver o que aparece ante mim como um paradoxal forçamento produzido pela necessidade de incluir o tempo que é uma variável real, na ordem simbólica, e quais são as consequências disso. Por um lado quando o real produz a suspensão do processo simbólico e é reiniciado, retomado pela lógica significante, se origina assim a pontuação, determinando a primazia do simbólico sobre o real. Nesta situação o fim da análise como atravessamento do fantasma deixaria o sujeito detido, capturado numa lógica simbólica, impossibilitando o que na experiência analítica escapa, excede à mesma, seu corpo vivente já não sujeito senão ?parletre?.
Por outro lado, ao constatar a presença da angústia com sua urgência avassaladora, observamos que esta nos coloca ante o real em ato e assim o devir simbólico se interrompe, alí se produz o corte, onde o real invade o simbólico.
Não podemos esquecer que Lacan no Seminário Ainda, dirá que essa urgência angustiante é a manifestação temporal do objeto ?a?. Aqui o ato analítico recairia sobre o corpo, o corpo sexuado com todas as suas implicações. O fim da análise teria que ver com a identificação ao sintoma e um saber fazer alí.
Evidentemente a orientação da sessão analítica que inclui o manejo da variável temporal, tem como base, como fundamento, a noção que fazemos da mesma em sua articulação com as dimensões do real e do simbólico e de como esta articulação possibilite ou não que o fim da sessão escape à morte simbólica e ademais, uma questão muito importante, que o analisante não faça uso dele, para que não goze todo o tempo.
Como nos diz Colette Soler (As promessas do tempo ? Prelúdios III)- ?Como já disse, na análise há que agregar ao tempo da articulação analisante o tempo que é necessário para tirar as consequências, para obter assim um dito que tenha consequências. Dito de outra forma, há que agregar ao falador atordoado ?o analisante lógico? , como se me ocorreu formular alguma vez?.



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