Ode aos peitos caídos

Neiza Teixeira
neizateixeira@hotmail.com
Publicado el: 28/08/06


       Facebook               Texto en Word 


    


Em Como Yebá Buró, senhora dos enfeites, e Eva, que comeu a maçã são mulheres, a mulher apresenta-se como o objeto da nossa preocupação. Buscamos analisar um espaço que ela, desde sempre, demarcou como seu: o da Beleza.


Ode aos peitos caídos


Neiza Teixeira
Doutora em Filosofia
neizateixeira@hotmail.com
neizateixeira.blogspot.com
neizaramos.blogspot.com


Em Como Yebá Buró, senhora dos enfeites, e Eva, que comeu a maçã são mulheres, a mulher apresenta-se como o objeto da nossa preocupação. Buscamos analisar um espaço que ela, desde sempre, demarcou como seu: o da Beleza.
Ninguém diria que o mundo feminino não se sustenta na cosmética, na moda, nas academias de ginástica, nos saltos altos, nos decotes, nas cirurgias plásticas, nos corpos magros e musculados e nos produtos diet. No entanto, esta estética feminina não pode ser vista apenas como “exposição” ou “volúpia”, na verdade, a beleza é um instrumento através do qual a mulher busca estabelecer-se no mundo. O acompanhamento do belo no feminino revela uma extraordinária oscilação, podemos dizer que este belo sofre um processo de banalização e que o sacrifício da mulher para tornar-se bela alcança um estágio de indiferença, se não é acompanhado pelo esforço de ser inteligente, agradável, simpática, boa profissional, boa mãe, boa esposa.

****

Quando temos em nossas mãos uma foto de uma índia da Região Amazônica, uma coisa pode imediatamente nos chamar a atenção: o registro do tempo, das circunstâncias, da sua força ou da sua fragilidade, da sua juventude ou da sua vetustez. Ela apresenta-se sem recorrências aos truques de beleza, com certeza, ela não conhece o esconderijo da fonte da juventude . No seu corpo, o tempo e o espaço são livres para agir conforme o seu bem-querer, por isso, inscrevem-se em cada pedaço, na pele, na expressão do olhar, nos cabelos, nos movimentos, no que se excede e no que se constrange. Desde o início, não ficou oculto ao nosso olhar que distante daquela América mítica se localizava o Éden, que, conforme a ocupação do espaço desconhecido, se deslocava . É reforçada a idéia, na literatura cristã e na não-cristã, de que o Éden era um lugar onde não havia lugar para o envelhecimento, a miséria e a morte .
Ainda que o bem nunca se apresente desacompanhado, pois ele se faz ver na composição com o seu oposto: o bom e o mau são idênticos , ou, a contradição é vantajosa, ou, a mais bela harmonia nasce das diferenças e todas as coisas nascem da discórdia , importando que a garantia do equilíbrio cósmico está na sustentação das contradições ou que o conhecimento assenta no entendimento de que a realidade das coisas consiste na luta dos contrários e que o homem sempre lutou contra as determinações da divindade, impondo sobre as mesma leis humanas, a verdade é que seja numa perspectiva ética ou estética o nosso olhar se encontra pleno de des-união, de dis-córdia e de embate de contradições. Contra a lei geral heracliteana, cujos princípios são divinos, de que tudo flúi e nada permanece o mesmo, o homem tentou fazer valer a lei parmenidiana imobilista .
A lei que anula o movimento, pondo os órgãos que o percepciona como enganosos, pode ser dita hoje como aquela que o homem persegue sem limites: os grandes investimentos na genética, na medicina e nas comunicações podem servir de exemplo. Mais que nunca o homem pretende, ainda que de forma egocêntrica, permanecer num mundo em que o tudo flúi é causador de extraordinária angústia.


****


Segundo os nossos dicionários , o termo Ode significa entre os antigos gregos, poema lírico destinado ao canto; poema lírico composto de estrofes de versos com medida igual, sempre de tom alegre e entusiástico (Houaiss, 2004;2050). Adotamos este termo para representar o artigo presente, chamando a atenção para algumas evidências: de fato, este não é um poema no modo como o mesmo é representado nos padrões tradicionais; do mesmo modo, não é um canto, e muito menos expressa os sentimentos mais íntimos da autora. Todavia, reivindicamos este título por se tratar de um artigo que evoca a maior amplitude que se possa dar ao termo canto: ponto ou área em que linhas e superfícies se encontram e formam ângulo; lugar afastado, retirado; lugar onde se mora, trabalha ou vai habitualmente; junta ou aresta de uma tábua. E também: som musical produzido pela voz do homem ou de outro animal; música vocal (Aurélio, 1994;339).
No primeiro sentido, é um canto porque ninguém escapa à decadência ou ao termo visível da fluidez e ninguém pode negar a imensa intranquilidade que representa envelhecer. Aí, todos nós nos encontramos (a não ser que um acidente viole a lei natural); daí, nenhum de nós poderá encontrar, pelo menos abrigo material, para a finitude. Neste caso, ele apresenta-se como um lugar de convergência ou de inevitável encontro.
De outro modo, é um canto no sentido em que se refere a um lugar retirado e a um lugar onde se mora, trabalha ou se vai habitualmente, emprestando-lhe as características do Ser .
Na compreensão que pretendemos delimitar, o canto apresenta-se como um lugar que, apesar de nele levarmos a nossa vida cotidiana e de nele nos encontrarmos, ele é banalizado e sequer estimado e, ainda, perspectivado da maneira mais tosca possível. Neste sentido, compreendemo-lo como morada ou como abrigo que, de tão natural que assim seja, até nos esquecemos da sua fundamentalidade, enquanto estruturador do nosso ser no mundo. É somente neste canto, ponto de encontro do homem consigo mesmo e com o outro que nós podemos identificar a nossa existência, individualidade e, ao mesmo tempo, a nossa necessária coletividade.
Ao mesmo tempo, neste canto, quando não somos conscientes das nossas existências, não o habitamos, ao invés, tocámo-lo, ficamos à parte como se, nele, apenas deslizássemos, vivendo uma vida des-interada de nós mesmos. Portanto, vemos nisso a completa indiferença na qual vivemos, onde nada toca-nos, a não ser o reflexo das coisas ou apenas as suas aparências que se doam sem promessas e sem artifícios. Habitamos a caverna ou estamos na era do vazio. No primeiro caso, tudo é aparência, erro, ilusão; no segundo, nunca estivemos em tão enorme solidão e tão ilusória alegria.
No entanto, conforme a história nos tem revelado, não é chegado o fim do ser que se desloca, que se comunica e que constrói. Pode-se até mesmo dizer que a contração, o desengano e a solidão são geradores. Isto significa que, ainda que habitemos na aparência, pois o conhecimento profundo não pertence a todos, mesmo que deslizemos pelo mundo, a não ser que uma catástrofe se abata sobre nós, continuaremos a gestar a nossa epopéia.
Além destas significações, este artigo pretende ser um canto no modo como pretende enlevar as coisas do mundo, o homem e, principalmente, a mulher. Ele requer, para si, o alinhamento no âmbito da Estética, pretendendo corroborar a idéia de que a fealdade pode adquirir o estatuto também reservado, melhor dizendo, que unicamente pertence ao Belo, algo absolutamente assente, desde Aristóteles , quando revela uma mesma origem para coisas, aparentemente, adversas.
Quando Aristóteles se reporta à Tragédia, diz que a mesma se apresenta em uma linguagem ornamentada, ainda que a sua intenção seja suscitar o terror e a piedade para depois, então, purificar essas emoções . Por linguagem ornamentada, o filósofo entende aquela que tem ritmo, harmonia e canto. Estendendo a sua leitura, e remetendo-a para o universo da Arte, é adequado dizer que o que poderia apenas causar asco, horror ou ser ignóbil pode, na sua manifestação, ser portador de uma rara beleza ou provocar sensação de alívio, da conformação do que somos e de que ser é assim. Na verdade, o entendimento tenta se impor aos sentidos, nos fazendo crer que é possível separar o que, de si, é inseparável. Enfim, é da Beleza que se pretende falar. No entanto, não é a beleza compreendida pelo senso comum – julgamos bela uma coisa bem proporcionada , mas da beleza que necessita do feio, porque não se pode pensar qualquer objeto belo, simplesmente porque ele higienizou-se do Feio. Vejamos o que diz Boaventura de Bagnoregio (século XIII), nos seus Comentários às sentenças, 1,31,2. (…) pelo mesmo motivo se diz que a imagem do diabo é bela, quando representa bem a fealdade do diabo e, neste aspecto, ela própria é feia. Isto serve para precisar que houve um momento em que se tentou separar o Belo do Feio, tornando-os antagônicos, fazendo-se uma assepsia do olhar, do dizer, do ver e do sentir. Do mesmo modo, nos faz ver que a problemática do Feio não deixou descansados os estetas da Antiguidade e nem da Idade Média, que tinham que de alguma forma conviver com o diabo, que era o seu principal representante. No que diz respeito a este tema, a filosofia Moderna não se esquivou e fez deste um dos seus centros de atenção. Nós não podemos esquecer Kant e Hegel. Todavia, também não podemos esquecer que latente sempre esteve a idéia da Beleza purificada, separada de toda a negatividade, como se separa o ouro de todas as impurezas, ainda que, para isto, se polua tudo o que o cerca ou o abriga.
Ainda hoje, as idéias de Beleza, de Fealdade, de Maldade, de Bondade pretendem ser vistas como excludentes, mesmo que as ações dos homens, a cada momento, reafirmem que um tipo de empreendimento como este é vão e falseador. Nem o esforço que a filosofia e as artes têm demonstrado, ao longo dos seus percursos, tem valido para que uma boa parte dos homens não só viva a vida com mais leveza, mas também que respeite o espaço que não lhe pertence e as idéias que não são as suas.
O Belo sempre foi confundido com o Mal. Quando se dizia, na Antiguidade, que uma coisa era bela, esta idéia tinha como correlativa a idéia de boa, no entanto, Eva comeu uma bela maçã que lhe agradou, primeiramente, pela sua aparência, e depois, pelo seu aspecto saudável. Logo no princípio inaugural, o belo é um artifício para que o feio cumpra o seu papel destrutivo ou faça a separação do casal primeiro da divindade, o que propiciou a geração da humanidade. Isto significa que a destruição, encarnada numa ação feia, se tornou ela-mesma bela, porque viabilizou a geração do existente. Mas também revela o equívoco e a cortina de fumaça que se estende entre a indissolubilidade de ambos, e deixa-nos patente que a assepsia do Belo sempre foi um esforço ora mais ora menos intenso. Todavia, é fato que o Feio rouba do Belo os seus fundamentos, como o compreendeu Aristóteles ou como o descreve Boaventura de Bagnoregio, o que seria contemplado, mais tarde, com a teoria do Sublime.
Ao mesmo tempo, seguindo a idéia desenvolvida em Como Yebá Buró, senhora dos enfeites, e Eva, que comeu a maçã, são mulheres, de que a arte é mais um conceito do que um fenômeno, o que lhe permite representar ou ser, ela-própria, um povo ou uma cultura, como é o caso dos povos Não-ocidentais, que ainda se espalham pelas terras brasileiras, o que muito dista da significação da arte, para os Ocidentais, a monstruosidade, o grotesco, a nudez, a parição, a força e o sobrenatural, simplesmente, são belos.
Nestas paragens, o que, ao nosso olhar, pode parecer feio ou grotesco, torna-se saudável e belo, porque alimenta, porque foi proporcionado pelos Deuses, porque se vive num canto habitado por todas as forças vivas. Aí, uma refeição comunitária feminina, no meio do terreiro, com as mulheres nuas sentadas ou num banquinho improvisado de uma caixa de madeira ou numa esteira, com as panelas espalhadas pelo chão, uma bacia, cumprindo a função de prato, comum a todos, pode ser um grande banquete. Uma cena é bela, quando tudo ocupa o lugar que lhe é destinado, ou seja, quando o espaço se torna pleno de si mesmo, porque nele não há vazio ou contradição. De outro modo, se diria que os índios Wayana, de quem falamos, sentem o prazer estético, quando as suas coisas adequam-se ao espaço físico da sua aldeia. Tanto é assim que um artefato somente pode estar a olhos vistos quando ele está concluído e quando corresponde a um ideal individual e social, como é o caso de um colar pendurado na viga da casa ou o de uma panela cheia de alimento.
O ideal de beleza também se vê concretizado quando o índio pode estender o seu olhar sobre a roça verdejante. A partir destes exemplos, pode-se firmar a idéia de que a sua compreensão da Beleza é muito ampla, no entanto, ela engloba, apenas, o que sofre a intervenção humana, mesmo que esta seja, justamente, a repetição de atos inaugurais.


***

Seguindo a idéia de que a Arte é mais um conceito do que um fenômeno, e assim, cada povo é, necessariamente, detentor de um quadro conceptual onde ele pode separar o feio do belo ou pode construir a sua concepção com a junção de ambos, a segunda parte que nomeia este artigo – aos peitos caídos – remete para a beleza que pode ser encontrada num seio que perdeu a juventude ou pela idade ou pela amamentação. Trata-se de dizer, novamente, que as escolhas do belo são múltiplas e que, a cada período, muitos belos se embatem, logicamente, cumprindo a legislação heracliteana, com a vitória de um e que se torna o mais conhecido, apreciado e louvado, por um breve ou longo espaço temporário, pois por debaixo dele, outros travam uma luta invisível para verem chegar o momento de subir à superfície. É do fundo da trama que emerge aquele que dominará as idéias por um tempo certo e vindouro. Assim tem sido, sempre!
Então, é a estética do feio aqui tratada, por dizer que o feio se impõe quando produz prazer estético. Por outro lado, a higienização constante, na Estética, não escapa à concretização de alianças, muitas vezes inaceitáveis e desprezadas, por isso, ocultadas da maioria e circunscritas a pequenos núcleos de intelectuais e de pessoas que se alienaram de um mundo que lhes diz muito pouco. Pode-se dizer que desde sempre a luta entre o belo e o feio, ainda que para desespero de muitos, jamais teve um vencedor absoluto ou tranquilo. Às vezes, sentimos até o definhamento do belo, por exemplo, nos filmes, no teatro, na literatura e na poesia contemporâneos, quando são de boa qualidade.
De outro modo, o feio tornou-se forte, porque não se pode negar a ação do tempo. Ainda que se utilizem todos os recursos para se conter a sua caminhada inexorável para o fim, ele penetra as coisas, melhor dizendo, ele está nas próprias coisas. E não se pode dizer que toda a destruição é maligna, ela até pode ser salvífica, por exemplo, os seios duma mulher, retirados quando portadores duma malignidade ou como uma tempestade arrasadora, no meio da noite, que faz resplandecer o dia no negrume que gestou.
Porém, o feio não pleteia o lugar do belo, ele luta por permanecer como tal, pois, se assim não fosse, mais uma vez, queimaríamos Sade e tantos poucos outros na poesia, no cinema, na fotografia, na música, na filosofia, enfim, talvez muitos mais na arte do que noutros saberes. Negar o feio, assumindo-o como ausência de ou como infância do que sofre um processo evolutivo, é negar o homem a si mesmo, é não compreendê-lo e fechar as portas para o conhecimento do mundo. Neste sentido, conhecer a fealdade é reconhecer a humanidade, negá-la é desconhecer, é desprezar a partilha inaugural. E assim, negar a vida humana.
Se o feio pleteia o seu lugar, conforme foi afirmado, convém lembrar Nietzsche, quando diz que nós teremos dado um grande passo, no que concerne à ciência estética, quando chegarmos não só à compreensão lógica, mas também à certeza imediata da intuição que a evolução da arte está ligada à dualidade do apolíneo e do dionisíaco…
Apolo, o Deus através do qual os Gregos representaram o sentimento da necessidade prazerosa do sonho; e mais, o Deus de todas as faculdades criativas da forma; e, ao mesmo tempo, o Deus da adivinhação. Ele, o Deus da luminosidade, é também aquele que reina sobre a bela aparência do mundo interior da imaginação, porém, Apolo é o Deus da medida, o Deus solar, do comedimento. Com a presença única do belo Apolo, os homens estariam desguarnecidos da embriaguez, do desvario, da loucura, da contradição, impulsionadora do devir, por isso, no mundo grego existe Dionisos, o Deus que presenteia o homem com o estado dionisíaco. Neste estado, onde sucumbe não só o homem mas também a Natureza, há a comunhão entre ambos, a reconciliação do homem consigo mesmo e com Gea. Esta última despojada o bastante para lhe oferecer todos os seus dons. Durante o período em que o estado dionisíaco embriaga o Cosmo, as feras tornam-se doces e gentis como se fossem animais de estimação, a Terra oferece, das suas entranhas, leite e mel e o homem, em comunhão com o todo, assume o seu lugar no coro de Baco. Vive-se, então, o Um-Primordial.
Com isso, diz Nietzsche que a contradição emana do próprio Cosmo e que transforma o próprio homem, sem intermediário, em obra de arte. Aqui, conforme o filósofo, se vê apaziguada a dura distinção entre o bem e o mal. Ambos são divinizados. E os Gregos, mesmo com sofrimentos, fizeram a aceitação do que é inabalável e inexorável. Isto significa que é inaceitável a exorcização do mal, e com ele, pois pertencem à mesma casta, às vezes até confundindo-se, do feio.
A partir dos Gregos, com a imposição do pensamento racional, através da lógica socrática, foi expulso o elemento místico do mundo e o que nos sobrou foi a tentativa, sempre renovada, de fazermos calar os sentidos e a aproximação da Natureza seja através da dança, do canto, da arte de um modo geral, das ciências, da filosofia e do sexo.
Pode-se dizer que, neste momento, tentamos uma re-aproximação com o si e com o Todo e que, por isso, o feio volta à luta, peleja, reivindica não adocicadamente mas grotescamente, imundamente, excrementicialmente, o seu lugar. Ele ultrapassa os bons costumes e a moral; o humanismo, o saber-estar e a ética; a beleza, a contemplação, o realismo e a estética. Neste momento, podem ser aceites como belo, sem dúvida, um roseiral, uma panela cheia de comida, um peito caído, um beijo na boca de dois homens ou de duas mulheres, da adúltera ou do adúltero. É bela a Cidade de Deus de Fernando Meirelles ou a Lavoura Arcaica de Ruadan Nassar ou os Ossos de Pedro Costa. São belos o amor virtual e a nudez, que se conformam no teclado de um Laptop, no espaço de um cyber, ou nas telas de cinema, ou num DVD. É hora de re-lermos Heráclito, Safo, Rabelais, Sade, de ouvirmos a Sagração da Primavera, de ouvirmos Bethoven, que muitos insistem em não ver o feio partilhado com o belo, com o grotesco, e até com o inaceitável.






A rosa de
Ronsard,
Retiro-a do soneto.
Murcho-a nas mãos. Leio-a ressequida. Perco-a na voz.
Rosa cega, com o corpo parte,
Rosa.
José Emílio-Nelson - A alegria do mal (Obra poética 1979-2004).














BIBLIOGRAFIA

ARISTÓTELES. Poética. Tradução, Prefácio, Introdução, Comentário e Apêndices de Eudoro de Sousa. 3ª ed. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. 1992.
Bíblia de Jerusalém. Nova edição revista. Tradução da Introdução e Notas de La Sainte Bible, edição de 1973, publicada sob a direção da École Biblique de Jérusalem. São Paulo: Edições Paulinas. 1986.
CAILLOIS, Roger. L’homme et le sacré. Paris : Éditions Gallimard. Collection Folio/Essais. 2002.
CLASTRES, Helène. La terre sans mal : le prophétisme tupi-guaranis. Paris : Éditions du Seuil.
DELUMEAU, Jean. Une histoire du paradis : le jardin du délices. Paris : Fayard. 2000.
DERRIDA, Jacques, Eperons: les styles de Nietzsche. Paris : Champs/Flammarion. 1996.
ECO, Umberto (Dir.). História da beleza. Tradução de António Maria da Rocha. Lisboa: DIFEL Editorial. S. A. 2004.
ELIADE, Mircea. Tratado de história das religiões. Prefácio de Georges Dumézil. Tradução de Fernando Tomaz e Natália Nunes. Lisboa: Edições Asa. 1997.
EMÍLIO-NELSON, José. A alegria do mal (Obra Poética I - 1979-2004). Introdução de Luís Adriano Carlos. Famalicão: Edições Quasi. 2004.
GRIMAL, Pierre. Dictionnaire de la Mythologie grecque et romaine. 15ª ed. PUF. 2002.
HEIDEGGER, Martin. El ser y el tiempo. Tradução de José Gaos. 10ª Ed. Madrid: Fondo de Cultura Económica. 1996.
HÉRACLITE. Fragments (Citations et témoignages). Tradução e apresentação de Jean-François Pradeau. 2ª ed. (corrigida). Paris:GF Flammarion. 2004.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do paraíso: os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. 6ª ed. São Paulo: Brasilienses. 1994.
HOUAISS, Antônio (1915-1999) e VILAR, Mauro de Salles (1939). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro: elaborado no Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa S/C Ltda.
KIRK, G. S. ; RAVEN, J. E.; SCHOFIELD, M. Os filósofos pré-socráticos. Tradução de C. A. Louro Fonseca. 4ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1994.
LÉVY-STRAUSS, Claude. Tristes tropiques. Paris : Plon. 1995.
LIPOVTSKY, Gilles. L’ère de vide. Essais sur l’individualisme contemporain. Paris : Gallimard. 1983.
LOUREIRO, Paes. Cultura Amazónica: uma poética do imaginário. Almada: Íman Edições. 2002.
MOLINA, Antonio Muñoz. La huerta del Edén. : escritos y diatribas sobre Andalucía. Madrid: Ollero & Ramos, Editores, S. L. 1996
NIETZSCHE, Friedrich. “La naissance de la tragedie ou hellénisme et pessimisme”. In : Œuvres. Traduzido do alemão por Jean Marnold e Jacques Morland. Revista por Jacques Le Rider. Paris: Éditions Robert Laffont. S.A. 1993.
NIETZSCHE, Friedrich. Le gai savoir. In: Œuvres. Tradução de Henri Albert, revisada por Jean Lacoste. Paris: Éditions Robert Laffont. S.A. 1993.
NIETZSCHE, Friedrich, Par-delà le bien et le mal : prélude à une philosophie de l’avenir. In: Oeuvres. Tradução de Henri Albert, revisada por Jean Lacoste. Paris: Éditions Robert Laffont. S.A. 1993.
PANOFSKY, Erwin. Idea: a evolução do conceito de belo. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Martins Fontes. Coleção Tópicos. 1994.
PÃRÕKUMU, Umusu; KEHÍRI, Tõrãmu. Antes o mundo não existia: mitologia dos antigos Desana-Kehíripõrã. 2ª edição. São João Batista do Rio Tiquié: UNIRT; São Gabriel da Cachoeira: FOIRN. 1995.
VAM VELTHEM, Lúcia Hussak. O belo é a fera: a estética da produção e da da predação entre os Wayana. Prefácio de Dominique T. Gallois. Lisboa: Assírio & Alvim. 2003.
VIDAL, Lux. A pintura corporal e a arte gráfica gráfica entre os Kayapó-Xikrin do Cateté. Grafismo Indígena. Estudos de antropologia estética. São Paulo, Studio Nobel/FAPESP/EDUSP. 1992. Pp. 143-1990.



















Neiza Teixeira
Doutora em Filosofia
neizateixeira@hotmail.com
neizateixeira.blogspot.com
neizaramos.blogspot.com



Opiniones sobre este texto:




Condiciones de uso de los contenidos según licencia Creative Commons

Director: Arturo Blanco desde Marzo de 2000.
Antroposmoderno.com © Copyright 2000-2017. Política de uso de Antroposmoderno